Dudu do Cavaco, músico com Down, se apresenta no HC

O artista toca oito instrumentos, porém, o cavaquinho é seu preferido

A relação de Eduardo Gontijo, 26, com os instrumentos musicais começou cedo. Logo aos quatro anos, participava de rodas de samba com a família e imitava os movimentos. Com tanta estímulo e prática, além do cavaquinho (o favorito), que origina o apelido “Dudu do Cavaco”, toca banjo, pandeiro, repique, surdo, ganzá, tamborim e djembê. Com tamanho conhecimento musical, nesta quinta-feira, 22, Eduardo se apresentou para as crianças do Ambulatório de Síndrome de Down do Complexo HC* da UFPR, que completou 20 anos de atividades neste ano.

“Quando estou tocando, coloco toda a emoção no cavaquinho, e, dele, jogo para todo mundo”, disse, entre abraços e fotos.

Entre uma música e outra, as mães e os pequenos interagiam com ele, ora perguntando sobre a carreira, ora sorrindo para fotos. “Ser diferente é normal. Sem sonhos, a gente não se move”, afirmou.

 

Inspiração

Seguindo o preceito de “uma coisa de cada vez”, como ele mesmo diz, o rapaz de Belo Horizonte, Minas Gerais, também participa do grupo de samba Trem das Onze, que faz shows semanais na capital mineira. O fato curioso é que Dudu tem 47 cromossomos, o que o torna portador de Síndrome de Down.

Inclusive, a trissomia do cromossomo 21 é tema de uma canção:

“Um cromossomo incomoda muita gente

47 incomodam muito mais

A inclusão é importante, minha gente

Diversidade nunca é demais”.

O irmão e fiel escudeiro, Leonardo Gontijo, 38, animou a plateia. Fazia um jogo de pergunta e resposta entre os presentes, abordando aspectos da vida do músico. “Dudu é noivo, não é?”, falou, seguido de comentários positivos de parentes dos pacientes. Também chamou as pessoas para cantarem as músicas. “A gente até brinca que quem tem limite é município. Deve-se entender que as pessoas que têm Down são humanos”, declarou.

 

Prática

Mesmo não tendo sido aceito por diversas escolas, o músico Hudson Brasil atuou como um professor. Foi ele quem ensinou um método infalível para Dudu aprender a tocar os instrumentos, substituindo as notas (Dó, Ré, Mi…) por números (1, 2, 3…).

“Canto levando amor”,  exclamou ele que, logo em seguida, tocou com o cavaquinho na nuca. O setlist também foi composto por “Aquarela”, “Alecrim”, “Como é grande o meu amor por você” e “Trem das 11”.

 

Instituto Mano Down

Leonardo é presidente do Instituto Mano Down, criado em 2011 com o intuito de oferecer oportunidades e inclusão a pessoas com Down. A organização atende em Belo Horizonte, mas, também fornece explicações e guias pelo site oficial (algumas cidades também recebem palestras). Os participantes fazem aulas de dança de salão, percussão e capoeira.

“O que ponderamos é que as pessoas devem ter sonhos. As famílias não projetam um futuro, então aquele ser humano está fadado ao fracasso. Esse é o nosso objetivo: que a geração que está vindo se espelhe em exemplos, e, através disso, procurar novos caminhos”, ressaltou Leonardo. “Hoje há muito mais informação. Tem até um ambulatório específico para o tratamento”.

Além do livro escrito pelo irmão (“Não importa a pergunta: a resposta é o amor”) e o treinamento musical diário, Dudu conta que está muito bem. “Eu acho importante e muito bom conviver com as pessoas e mostrar tudo isso. É o que eu adoro fazer”, finaliza.

 

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